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Lusa (Moçambique) – Andrea Riccardi: Moçambique como “um modelo de pacificação para África e para o mundo”

O fundador da Comunidade de Santo Egídio, o italiano Andrea Riccardi, elogiou hoje Moçambique como "um modelo de pacificação para África e para o mundo, apesar de persistirem problemas sociais motivados por conjunturas que se vivem no mundo".

Riccardi apontou Moçambique como "um exemplo a seguir" por ter conseguido sair com sucesso em 1992 de "um cansativo" conflito armado de 16 anos, afirmou quando falava hoje numa conferência de imprensa no âmbito de uma visita ao país para se inteirar do andamento dos projectos de luta contra a sida, desenvolvidos pela Comunidade de Santo Egídio.

"Quando se fala de processos de paz, após longos anos de conflito, Moçambique é sem dúvidas um modelo para África e para o mundo", enfatizou Andrea Riccardi.

Para o fundador da Comunidade de Santo Egídio "é positivo que Moçambique viva hoje num ambiente de tolerância inter-racial e inter-étnica", apesar de ter estado mergulhado num "conflito duro", logo após a sua independência, em 1975.

Além da estabilidade política, Andrea Riccardi realçou também os progressos sociais que Moçambique apresenta hoje, com sinais visíveis de "algum bem-estar" que não se viam nos tempos do conflito armado.

Para comparar a realidade que o país vivia durante a guerra e a que prevalece hoje, o fundador da Comunidade de Santo Egídio lembrou que "antes, o principal mercado de Maputo só tinha peixe seco nas bancas, hoje tem muito mais do que isso".

Segundo Andrea Riccardi, os avanços no campo económico e social que Moçambique atingiu estão a permitir ao país sofrer menos o impacto negativo da crise internacional nos combustíveis e nos cereais.

A Comunidade de Santo Egídio foi determinante na aproximação e diálogo entre a antiga guerrilha da RENAMO, hoje o maior partido da oposição, e o Governo da FRELIMO, que resultou na assinatura do Acordo Geral de Roma, em Outubro de 1992, terminando a longa guerra civil moçambicana.

Hoje, a organização desenvolve em Moçambique o projecto DREAM, concebido para a luta contra a sida e que já permitiu que cerca de quatro mil crianças de mães contaminadas pelo vírus causador da doença nascessem livres da epidemia, graças a programas de assistência média do programa.

Também no quadro do DREAM, milhares de doentes da sida estão a receber tratamento anti-retroviral.

No extremo oposto em termos de estabilidade política, o fundador da Comunidade de Santo Egídio apontou o país vizinho de Moçambique, o Zimbabué, descrevendo a situação em que este país se encontra como "preocupante e caracterizada pela violação dos direitos humanos contra a oposição" ao Governo do Presidente zimbabueano, Robert Mugabe.

A Comunidade de Santo Egídio, uma organização não-governamental religiosa associada ao Vaticano, anunciou hoje em Maputo ter sido convidada a participar no Fórum da Sociedade Civil da CPLP, que decorrerá em Lisboa à margem da VII Cimeira dos "oito", a 24 e 25 deste mês.

Segundo Paola Germano, directora-geral para África do programa DREAM, uma iniciativa de luta contra a sida da Comunidade de Santo Egídio, o convite foi apresentado pelo ex-Presidente português e alto representante do secretário-geral da ONU para o combate à tuberculose, Jorge Sampaio, também na qualidade de embaixador da Boa Vontade da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

"Jorge Sampaio interessou-se com o conceito do projecto DREAM quando teve contacto com esta iniciativa numa visita a Moçambique em 2007 e achou por bem que este modelo exemplar seja apresentado na cimeira", disse Germano aos jornalistas, ladeada pelo fundador da Comunidade de Santo Egídio.

Em Lisboa, os responsáveis do DREAM irão explicar o que está por detrás do sucesso deste esforço em África, que permitiu que, em Moçambique, a título de exemplo, 45 mil doentes da sida, encontrem-se hoje integrados no tratamento contra a doença, 13 mil dos quais com anti-retrovirais, os fármacos que mitigam os efeitos da epidemia, acrescentou a directora-geral para África do DREAM.

Em Moçambique, a iniciativa desenvolvida pela Comunidade de Santo Egídio permitiu igualmente que quatro mil bebés de mães infectadas pelo vírus da SIDA nascessem sem a doença, graças à assistência proporcionada no quadro do programa DREAM.

O fundador da Comunidade de Santo Egídio considerou a implementação daquele projecto em Moçambique "importante" para o sucesso dos esforços empreendidos pela organização na luta contra a sida em África.

"Pela sua localização geográfica e pela sua estabilidade política e social, é encorajador para África que o DREAM esteja a obter bons resultados em Moçambique", afirmou Andrea Riccardi.

A sida afecta 16,5 por cento da população moçambicana, ou seja, três milhões de pessoas.

(Agencia Lusa)
PMA/JSD

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