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26/11/2006

O QUE É O DREAM

O DREAM é portanto, antes de mais, uma abordagem diferente perante a África. É uma injecção de confiança e de esperança, um contágio - podemos afirmar - de confiança e de esperança.

Confiança e esperança de que a SIDA pode ser combatida e justamente em África. Confiança e esperança de que a condição de vida de muitos seropositivos marcados pelo estigma, pelo medo de falar, pelo sentido de condenação, pode ser mudada. Confiança e esperança de que homens e mulheres esgotados e enfraquecidos pela doença possam “ressuscitar”, recuperando energias que serão úteis para eles e para os outros. Confiança e esperança de que milhões de crianças - o futuro da África, mas também do nosso planeta - possam ter à sua frente aquela longa vida a que cada nosso filho ou filha tem direito.

DREAM reflecte o modo de sentir de Santo Egídio.

Por esta razão, o programa nasce com o objectivo de voltar a unir prevenção e terapia, na convicção de que é necessário salvar além de preservar, conquistando para o maior número possível de pessoas um novo tempo à vida. Por esta razão DREAM é concebido para a excelência. Excelência do diagnóstico e dos tratamentos, da organização e da informatização.

DREAM propõe também em África os standard ocidentais, utilizando rotineiramente a avaliação da carga viral, e introduzindo a Highly Active Anti-Retroviral Therapy (HAART), o actual golden standard no tratamento da infecção por HIV, para todos os pacientes que dele necessitem.

Para a Comunidade de Santo Egídio, as pessoas nunca são simples “emergências”: são sempre pessoas. Por esta razão, agimos em conformidade com aquele simples e antigo provérbio que recomenda para fazer aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. E quem é que desdenharia a excelência? Esta abordagem tem um profundo significado. Dá uma grande motivação ao pessoal envolvido, recolhe o máximo de colaboração entre os pacientes, abate a dispersão e a interrupção da terapia em curso. O minimalismo, muitas vezes proposto em tema de ajudas internacionais e de cooperação corre o risco, no que se refere à luta contra a SIDA, de conduzir a consequências perigosas, se não fatais, num ambiente já exposto a demasiadas carências. Existe o problema dos recursos, mas a prioridade é a de construir um modelo de assistência que funcione.

De qualquer modo, o importante é que todas as prestações sanitárias oferecidas, desde a diagnose ao suporte nutricional, da educação sanitária à terapia convencional de infecções oportunistas e de infecções sexualmente transmissíveis, sejam totalmente gratuitas.

De facto, não é possível pedir àquele que nem sequer tem dinheiro para comprar comida para si e para a própria família que pague os medicamentos. Não é possível pedir às muitas crianças doentes, na maior parte dos casos já órfãs, que paguem. A gratuidade dos tratamentos impõe-se e não só por motivos de equidade. A gratuidade dos tratamentos explica também o elevadíssimo grau de aderência à terapia por parte dos pacientes DREAM (aos quais, é também reservada uma segunda e decisiva ajuda, o suplemento nutricional sistemático). O ponto não é o do afastar os doentes, mas sim de atraí-los. Em África, o problema a superar é justamente o da extrema dificuldade de acesso das populações aos centros de saúde. O modelo de DREAM pressupõe um largo uso de pessoal para superar o problema crónico e endémico da dificuldade de acesso ao serviço sanitário nacional.

Na verdade, DREAM luta em prol da acessibilidade dos tratamentos. Empenhando-se não só a acolher gratuitamente qualquer pessoa que peça o tratamento, como também a ir procurar aqueles pacientes que se revelem a risco de dispersão. Por esta razão, decidiu-se formar seria e profissionalmente não só o próprio pessoal sanitário, mas também os numerosos operadores sócio-sanitários. Estes últimos, depois de regularmente inseridos, exercem funções mais “móveis”, não só no centro sede do programa, mas em toda a zona circunstante: a assistência a domicílio, o controlo da subministração da terapia diária, o couselling nutricional das mães.

Acessibilidade do tratamento para todos. DREAM é modulado para um rápido scaling-up. A excelência das prestações e os reduzidos recursos económicos nunca interpuseram um limite ao sonho de alargar o tratamento para um crescente número de pessoas e, em perspectiva, para todos. DREAM ambiciona ampliar o próprio raio de acção à escala de um país, ou melhor, tornar-se num modelo para países de recursos limitados.

O principal problema continua a ser sem dúvida, o da dificuldade de implementar, em sistemas sanitários com recursos limitados como o são os africanos, a complexa assistência necessária para a infecção por HIV/SIDA. É necessário, portanto, construir uma via inovadora neste campo, tendo em consideração as peculiaridades africanas e a necessidade de estruturas ágeis e ligeiras. Não há dúvidas de que a SIDA é um problema, uma crise, mas, tal como todas as crises, traz uma oportunidade, a de renovar profundamente e radicalmente os sistemas sanitários africanos. A SIDA obriga-nos, de facto, a repensar o que pode e deve ser a assistência em África. Este continente sofreu demasiadas vezes o impacto de cópias mal feitas de esquemas ocidentais, apesar de não possuir os mesmos níveis de recursos, de financiamentos, de pessoal, de experiência. DREAM imagina um modelo sanitário ligeiro, que privilegie a medicina do território em relação à residencial, os pequenos centros, a difusão em micro-escala dos serviços.

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