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Malawi – A história de Violet e de Faith, menina nascida sã de uma mãe seropositiva

Terça-feira, no centro DREAM de Mtheng wa Ntenga (Lilongwe), chegou Violet. Estava com Faith sua filha, que tinha acabado de fazer 18 meses.
Faith é uma das mais de 100 crianças nascidas no programa de prevenção vertical DREAM em Mthengo wa Ntenga. O seu nome, em inglês significa “fé”, e muito certamente, Violet, com o nascimento da sua quarta filha, que chegou quando descobrira há poucos meses ser seropositiva, quis confiar e confiá-la a quem podia ajudá-las, às duas, a ultrapassar a resignação e o desespero.
Violet tinha chegado a Mthengo wa Ntenga em 19 de Outubro de 2005. Queria fazer uma normal consulta de controlo no Antenatal Care. Um centro de maternidade – como a maioria dos centros de maternidade do Malawi – carente de pessoal e de meios. Na falta de recursos, nesses centros, limitam-se a controlar o peso da gestante e a prescrever alguns comprimidos de sal ferroso para tratar a anemia, muito difundida entre as pessoas que vivem em países onde o paludismo é endémico. De acordo com as normas em vigor no Malawi para prevenir a difusão da SIDA, é obrigatório efectuar também um teste para o HIV, mas muitas vezes, nas zonas rurais os kit necessários não estão disponíveis. Em Mthengo wa Ntenga, porém, graças ao suporte do centro DREAM, fazer o teste é possível.
Quando, durante a espera, a todas as mulheres foi explicada a importância de fazer o teste, Violet escutava com atenção. Há já algum tempo que não se sentia muito bem, tinha uma tosse estranha e persistente, febres frequentes. Certamente sentia-se perturbada ….. para uma mulher malawiana vir a saber que é positiva ao teste é um drama, cai-lhe o mundo em cima, num abrir e fechar de olhos toda a sua vida deixa de ser como dantes. Mal se espalha a voz que uma mulher é seropositiva todos começam a olhá-la de outra maneira, as crianças deixam de ir brincar com os seus filhos e não são poucos os maridos que abandonam as mulheres afirmando que são elas mesmo a causa do mal.

Naquele dia, porém, os operadores e as activistas de DREAM não se limitavam a explicar o que era o HIV e como se transmitia. Referiam também da possibilidade de tratar a doença e informavam que, seguindo bem a terapia, é possível para uma mulher seropositiva, dar à luz uma criança sã. Violet encheu-se de coragem e decidiu fazer o teste. 
E eis a resposta temida: o teste é positivo. São momentos terríveis, o futuro mete medo: “Como faço a voltar para casa? O que vou dizer ao meu marido? O que será dos meus filhos?”. Mas o encontro com DREAM ajuda, dá coragem, abre para uma nova esperança.
Depois do teste todas as mulheres positivas são acolhidas pelo pessoal especializado de DREAM em pequenos quartos bem cuidados e mobilados. Há tempo para falar sem pressas. Os doentes têm a oportunidade de expor os próprios receios, de escutar as histórias de quem já viveu a mesma experiência. Recebem conselhos práticos, sugestões sobre como explicar a situação aos próprios familiares. Oferece-se a possibilidade de encontrar e tratar também os parentes. Garante-se a disponibilidade gratuita de remédios, consultas médicas, exames de laboratório e – se necessário – assistência domiciliária e um pacote de alimentos. Numa palavra, assegura-se que alguém estará ao lado na luta contra o vírus, para ajudar no tratamento e no bem-estar.
Depois do colóquio Violet regressa para casa menos preocupada. Fala com o marido e depois com os outros parentes e após uma semana volta para o centro DREAM. Para começar o tratamento, para iniciar a prevenção vertical, para salvar a vida da criança que está à espera.
Dia após dia o medo e a angústia do início deixam espaço à confiança, à amizade e à serenidade que se respira num centro DREAM.

E talvez, por causa disso, no momento do parto, o nome da criança com mais de 3 kg que vê a luz, já está decidido: Faith. Esperança que ela possa estar livre da SIDA, que possa crescer feliz e que se possa tornar adulta num mundo menos injusto daquele onde o tratamento da SIDA está disponível só para uma pequena minoria de pessoas doentes.
No centro DREAM vimos crescer Faith de mês a mês. Veio regularmente, durante estes 18 meses, com a mãe, às consultas de controlo. Controlámos sempre o seu crescimento, o seu peso, demos à mãe conselhos para a higiene e para dar à criança uma boa alimentação durante e depois da amamentação.

 

Terça-feira passada, Faith fez 18 meses, a idade indicada para poder fazer o teste definitivo e estabelecer com certeza se no seu sangue está presente o vírus HIV. Violet apresentou-se pontual como sempre, com a sua criança, emocionada e elegante. As expectativas eram boas porque em todas as análises e os controlos efectuados durante este ano e meio, os resultados já mostravam que Faith não tinha sido contagiada, tal como os 98% das crianças que nascem no âmbito do programa DREAM.
Desta vez, entrar no quarto dos testes não foi motivo de angústia e, como previsto, o teste confirmou definitivamente que Faith é mais uma das crianças do centro DREAM de Mthengo wa Ntenga que nasce sã de uma mãe seropositiva. Depois do resultado do teste iniciou uma festa imprevista, Violet quis visitar todo o centro, mostrando a sua criança sã a todos os outros pacientes, ao pessoal e também aos técnicos de laboratório que permitiram, com o próprio trabalho, este pequeno milagre.
Depois, foi-se embora feliz, com Faith ao colo. A confiança de Violet de que a sua criança pudesse nascer sã foi, na verdade, bem depositada.
Mas a confiança continua a alimentar-se. Enquanto Faith cresce sã e robusta, também a confiança de Violet continua a crescer, na certeza de ter encontrado uma amizade infinita e de poder continuar a tratar-se, manter-se saudável e ver crescer os seus quatro filhos.


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