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Objectivo fome zero: um desafio para o Malawi

A intervenção da Comunidade de Santo Egídio contra a malnutrição

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Celebrou-se, no dia 16 de Outubro, o Dia Mundial da Alimentação, subordinado ao tema “Protecção social e agricultura para quebrar o ciclo da pobreza rural”.
A protecção social foi escolhida para realçar a importância na redução da pobreza rural e assegurar o acesso ao alimento ou aos meios para o comprar. Pode ser definida como um leque de soluções, muitas vezes combinadas entre si, como as oportunidades de trabalho, o fornecimento de alimento, dinheiro e serviços, que miram sustentar as pessoas vulneráveis e ajudar os pobres da sociedade a saírem da fome e da pobreza.
A cerimónia oficial do 36° World Dood Day realizou-se na Expo Milão 2015, na presença do Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon e do Presidente da República italiana Sergio Mattarella.
Foi o próprio Ban Ki-moon a lançar, em 2012, durante a Conferência sobre o Desenvolvimento Sustentável Rio+20, o Desafio Fome Zero, que oferece a visão de um mundo sem fome, onde é possível ir ao encontro contemporaneamente da crescente procura de alimentos e enfrentar os novos desafios ambientais. Como o próprio Secretário afirmou, a fome pode ser eliminada no arco da nossa vida.

O desafio fome zero significa:

  1. Zero crianças com menos de dois anos com deficit de desenvolvimento
  2. 100% acesso a alimentos adequados, sempre
  3. Todos os sistemas alimentares sustentáveis
  4. 100% aumento da produtividade e do rendimento dos pequenos agricultores
  5. Zero perdas ou desperdícios de alimentos

Esse objectivo “Zero Hunger” faz parte dos 17 objectivos globais propostos para serem alcançados até 2030.

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Os objectivos são interligados entre si: a fome e a malnutrição não podem ser eliminadas sem que haja progressos também nos outros pontos. O Objectivo Global 2 recita: “Eliminar a fome, alcançar a segurança alimentar e uma melhor nutrição e promover uma agricultura sustentável”.

Segundo o relatório The State of Food Insecurity in the World 2015 (PDF) , são 795 milhões, as pessoas que sofrem de fome hoje, 167 milhões a menos em relação a dez anos atrás
Todavia, esse progresso não se registou do mesmo modo em todos os países do mundo. Em África, a progressão foi demasiado lenta e não se conseguiu alcançar o Millennium Development Goals 1c: reduzir para metade, entre 1990 e 2015, a proporção de população afectada pela fome.

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Estima-se que na região da África subsaariana, uma pessoa em quatro sofre a fome, cerca de 23,2% da população que corresponde a cerca de 220 milhões de pessoas, representando a mais elevada prevalência de desnutrição para qualquer região. A lentidão dos progressos realizados para combater a fome no decorrer dos anos é particularmente preocupante. Este ritmo abrandado reflecte a presença de factores tais como o aumento dos preços dos géneros alimentícios, a seca e a instabilidade política de que muitos países padecem.

Com efeito, para haver segurança alimentar são necessárias condições políticas estáveis e um crescimento económico, acompanhado por políticas de protecção social miradas a grupos de população mais vulneráveis, para além de assegurar o acesso à água e ao alimento, de melhor qualidade, melhorando as condições higiénicas. Em muitos países que não conseguiram alcançar os objectivos, catástrofes naturais e provocadas pelo homem ou a instabilidade política, geraram crises mais ou menos prolongadas com um aumento da vulnerabilidade e da insegurança alimentar de grande parte da população.

Tomemos como exemplo um pequeno País da África subsaariana, o Malawi, que, infelizmente, nestes dias, está a dar que falar de si, e não por factores positivos: com efeito, segundo o World Bank ,o Malawi é o país mais pobre do mundo, com o mais baixo PIB pro-capite. Do relatório sobre a segurança alimentar acima citado, estima-se que este pequeno país (que tem cerca de 118 mil km) conta com 3,6 milhões de prisioneiros no triénio 2014-16 (20,7% da população total), com um aumento em relação ao triénio anterior.

O Malawi está a enfrentar a pior seca e a consequente crise alimentar do último decénio (relatório UNICEF Outubro de 2015).

Teme-se nos próximos meses, um aumento dos malnutridos, sobretudo, entre as crianças com menos de 5 anos, num país onde quase a metade das crianças já é malnutrida. Além disso, no mês de Janeiro, o país foi atingido pela maior inundação da sua história, seguida por longos períodos de seca.

DSCN1507Pela primeira vez em nove anos, o Malawi viveu um deficit de milho de 30%, expondo 2,8 milhões de pessoas (15% da população) ao risco de fome em 25 distritos do País. O milho é o alimento principal, base da dieta do Malawi. Este dado está destinado a aumentar. Com efeito, Outubro é o mês mais quente no Malawi e é a estação onde se começa a olhar para o céu à espera das primeiras chuvas. Nestes dias, aguarda-se a estação das chuvas com grande preocupação e, sobretudo, sem os recursos necessários para se chegar à próxima colheita. Além disso, a escassa colheita do ano passado e a falta de provisões, não assegura alimento para todos nos próximos meses. Desde sempre os meses que vão de Dezembro a Março, são chamados “da estação da fome” porque diminuem as provisões de alimento enquanto se aguarda a nova ceifa, mas este ano, as pessoas preparam-se para enfrentar um período deveras negro que poderá ter trágicas consequências para um país que não consegue sair de uma situação crónica de pobreza e de falta de alimento. O preço da farinha de Milho, com a qual se prepara o prato base, a nsima, já atingiu os 5700 MWK por saco (cerca de 10 dólares) 40% a mais do preço de Outubro de 2014, e prevê-se, com base no andamento do mercado dos anos passados, que no início de 2016 possa alcançar os 15 dólares. No distrito de Chikwawa, no Sul, já se registaram 45 óbitos de crianças provocados pela malnutrição. Nos hospitais, escasseiam os medicamentos.

Já no mês de Fevereiro, a Comunidade de Santo Egídio tinha levado ajudas alimentares para as zonas atingidas pelas cheias.

aiuti-malawi-febbraio-2015-03As ajudas distribuídas interessaram mais de 5000 famílias nas zonas de Mangochi, Balaka, Zomba, Phalombe, Thyolo e Blantyre. Aqui, a Comunidade conta com cerca de 6000 membros, mas a “família” de Santo Egídio compreende também 1000 idosos e 11000 crianças da escola da paz.

Mas, a Comunidade de Santo Egídio está ligada também ao país através da presença de 13 Centros DREAM com cerca de 70 mil pessoas assistidas desde o início, das quais cerca de 15 mil têm menos de 15 anos. Desde sempre DREAM quis dar gratuitamente aos próprios pacientes, para além da terapia anti-retroviral, também a integração alimentar.

Além disso, em Machinjiri foi aberto, em 2010, um Centro nutricional que hospeda todos os dias cerca de 1000 crianças. Para além de receber uma refeição nutritiva, as crianças malawianas podem permanecer todo o dia nos espaços do centro para brincarem e para realizarem actividades educativas. Desde 2012 está presente também uma creche para 30 crianças em idade pré-escolar.

É muito, mas não basta. São necessários programas planificados de longa duração para se conseguir a auto-suficiência alimentar mas, a emergência é hoje, e o Malawi não pode esperar mais, senão ao caro preço de ver muitos inocentes morrerem de fome.

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