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Juntamente com o tratamento… aprendo o inglês

Desde o mês de Junho de 2014, nos centros DREAM de Iringa e de Usa-River (distrito de Arusha) na Tanzânia, os pacientes não só se vão tratar como também aprender o inglês.

Com efeito, está activo o projecto “Abater as barreiras linguísticas” financiado através do Fundo previsto pela Lei do Mecenato “Oito por Mil” da Igreja Evangélica Valdense. Objectivo do projecto é o de contribuir para o melhoramento da condição feminina na Tanzânia e, assim, fornecer a 120 mulheres (60 para cada centro) um serviço de aprendizagem gratuita e qualificada da língua inglesa de base num ano.

Na Tanzânia os centros DREAM têm sob tratamento 3000 pacientes e destes, muitos são mulheres, muitas vezes pobres, sem trabalho, com outros elementos da família doentes, mulheres grávidas ou mães de crianças doentes ou com problemas de desnutrição.

O kiswaili é a língua oficial da Tanzânia mas, muitas vezes, o inglês é indispensável para se poder encontrar um bom trabalho, sobretudo nos sectores da economia e do turismo. Todavia, o nível de conhecimento do inglês varia muito conforme as zonas e o nível de escolarização e a sua aprendizagem resulta ser um desejo por parte das próprias mulheres.

Durante os primeiros meses do ano, quando se começou a propor os cursos a algumas pacientes dos centros, houve imediatamente um grande entusiasmo e elas mesmas começaram a correr rapidamente a palavra para convidarem outras amigas.

Em breve tempo conseguiu-se o número para formar as turmas e, em Junho, os cursos começaram seja em Iringa seja em Usa-River.

As aulas processam-se nos centros Dream, durante as primeiras horas da tarde, quando o fluxo de pacientes é menor; formaram-se bem 4 turmas de 15 pessoas cada uma,  e as aulas são dadas durante 4 dias por semana.

As mulheres chegam a vir de bastante longe, mas foi possível facilitar a participação delas graças a uma contribuição para o transporte, prevista no projecto. A vontade delas de aprender é grande, e agora que estão a terminar os primeiros seis meses do curso, começam a ver-se os resultados, quando se chega ao centro, em vez do habitual Karibu! (bem-vindo), acolhem-te logo com um “Hallo, how are you?” e continuam felizes a conversa em inglês.

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Fome, malnutrição, SIDA: o empenho do programa DREAM

“Não às especulações em nome do deus lucro”: é quanto afirma o Papa Francisco na sua mensagem apresentada à FAO pelo Arcebispo Travaglino por ocasião da Jornada Mundial da Alimentação. Estamos diante – diz-nos o Papa – de um dos paradoxos mais dramáticos do nosso tempo: milhões de pessoas que não têm comida apesar da enorme quantidade de alimentos desperdiçados.
Os dados são claros: segundo o último relatório FAO 2014 (The State of Food Insecurity in the World), 805 milhões de pessoas no mundo não têm comida suficiente, cerca de uma pessoa em nove.
A grande maioria das pessoas esfomeadas vive nos países em vias de desenvolvimento, onde a prevalência da desnutrição é estimada à volta dos 14,3%. Apesar de a nível global se ter registado uma geral redução do número dos desnutridos entre 1990-92 e 2012-14 (redução da taxa de prevalência de 18,7% para 11,3%), existem ainda demasiadas diferença entre as várias regiões do mundo. A África subsaariana continua, de facto, a ser a região com a mais elevada prevalência de desnutrição (cerca de 24%, com 214 milhões de malnutridos). Em prática, estima-se que uma pessoa em quatro seja malnutrida, já de maneira crónica.

Preocupante é a situação das crianças: 200 milhões de crianças são malnutridas no mundo; destas, 160 milhões encontram-se numa condição de malnutrição crónica.
Mais uma vez, a África detém a triste primazia: a taxa de prevalência de stunting e de peso inferior ao normal entre as crianças com idade inferior aos cinco anos é maior de 30%, demasiado, segundo a OMS.
A falta de alimento comporta atraso no crescimento com consequências muitas vezes irreversíveis sobre o desenvolvimento físico e intelectivo da criança, para além de implicar um maior risco de morte e de desenvolver doenças mesmo graves, contribuindo para cerca de 45% de todos os óbitos a nível mundial entre as crianças com idade inferior aos cinco anos.

Estar malnutrido amplifica o efeito de qualquer doença, incluído o HIV tanto é que existe uma sobreexposição das regiões atingidas pelo HIV com as caracterizadas pela malnutrição. Essa coincidência é muito evidente na África subsaariana, onde a carência de nutrimento e a insegurança alimentar são realidades quotidianas. O HIV/SIDA e a crise alimentar combinam-se para formar um círculo vicioso: a malnutrição abaixa as defesas imunitárias e aumenta o risco e a severidade das infecções. É evidente que uma boa nutrição não cura o HIV/SIDA, mas representa uma ajuda terapêutica essencial e complementar às terapias anti-retrovirais.
É o que a OMS também afirma (para aprofundar) : o HIV é uma infecção global do organismo e necessita de intervenções globais; a nutrição, juntamente com a terapia anti-retroviral, deve ser um factor chave destas intervenções.
Na África subsaariana, portanto, uma particular atenção deveria ser posta aos problemas alimentares nos pacientes HIV positivos.
O programa DREAM da Comunidade de Santo Egídio, desde o seu início, quis associar à terapia anti-retroviral um apoio nutricional completo para os pacientes que necessitem.
Nos seus 12 anos de actividade, DREAM entregou mais de 865.000 suplementos nutricionais a pacientes de todas as idades, muitos dos quais são crianças. Aos mais pequenos (seropositivos ou expostos ao vírus) que apresentavam sinais de grave malnutrição, foram entregues alimentos terapêuticos com alto conteúdo calórico, adicionados com macro e micronutrientes.
Além disso, o programa DREAM gere três centros nutricionais para crianças na idade do desenvolvimento, construídos pela Comunidade de Santo Egídio e coordenados e animados pelo trabalho de agentes de saúde de comunidade, especializados na nutrição e na educação infantil.

Em Matola, na periferia de Maputo, mais de 800 crianças recebem diariamente uma refeição completa, mais de 500 na Beira, região central de Moçambique e mais de 800 em Blantyre no Malawi. Alimentos e medicamentos fazem entrar na norma todos os índices de desenvolvimento nutricional com grande melhoramento do estado clínico e do crescimento da criança. A associação alimento e terapia deu resultados extraordinários e salvou a vida de muitos mas, infelizmente, assiste-se cada vez mais a um cansaço dos doadores que, devido à crise económica internacional, consideram supérfluo financiar programas nutricionais. E, no entanto, estamos diante de um escândalo, como realçou o Papa, especificando que fome e malnutrição não são um factor inevitável: ”Fome e desnutrição nunca poderão ser considerados como um facto normal ao qual nos habituarmos, como se se tratasse de parte do sistema” e acrescentou “é necessário renovar os sistemas alimentares para levar neles o valor da solidariedade para com os pobres. Precisamos de nos educar para a solidariedade”.
O Papa Francisco realçou ainda a necessidade, sobretudo neste momento, de procurar a unidade entre as pessoas e entre as nações para ultrapassar divisões e conflitos e, sobretudo, “para procurar um caminho concreto para se sair de uma crise que é global, mas cujo peso cai, sobretudo, nos pobres” e concluiu declarando a disponibilidade da Igreja católica em acompanhar não só a elaboração, como também a concreta actuação de novas políticas, ciente do facto que “a fé torna-se visível quando se põe em prática o projecto de Deus sobre a família humana e sobre o mundo através daquela profunda e real fraternidade que não é exclusiva dos cristão, mas que inclui todos os povos”.
Redescobrir a fraternidade dos povos, “educando-nos para a solidariedade”, uma proposta que deve tocar os corações e as consciências deste nosso mundo global ainda demasiado esfomeado que sofre não só de crise económica mas também, e muito, de falta de solidariedade.

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Guiné-Conacri: Emergência Ébola

A epidemia de Ébola na África Ocidental está em plena expansão. Desde o passado mês de Março até hoje, o número de contágios aumentou de maneira exponencial, com cerca de 7000 casos e mais de 3000 mortos (aprofunda). Os países mais atingidos são a República da Guiné, a Serra Leoa e a Libéria, que mostram grandes dificuldades em conterem a epidemia e que sofrem, não só pelo número de doentes e de mortos, mas também pelo encerramento das escolas, a proibição de se reunirem, as restrições impostas às viagens e ao comércio que provocaram o aumento dos preços dos géneros de primeira necessidade. Também as Comunidades na Guiné, na Serra Leoa e na Libéria foram atingidas, com a morte de alguns dos seus membros, para além de parentes e amigos. Particularmente vulnerável, o pessoal de saúde, entre os quais e até hoje, se registaram 216 mortos entre médicos e enfermeiros, em países onde os recursos humanos no campo da saúde são, além do mais, muito carentes.

Na Guiné, em Conacri, Fassià e Dubrekà nestes meses, a actividade dos centros DREAM, que têm em tratamento mais de 3000 pessoas, começou a fazer frente a esta grave emergência. Foram potenciadas as medidas de prevenção (lavagem das mãos com água clorada, luvas, máscaras e outras protecções para a recolha de sangue e para o laboratório de análises…) para proteger seja o pessoal seja os pacientes, e realizou-se uma acção capilar de monitorização, em particular sobre os pacientes que deixaram de frequentar o centro. Contemporaneamente, começou-se uma importante campanha de educação sanitária e de sensibilização sobre as modalidades de transmissão e as medidas de prevenção. Pretende-se, deste modo, limitar o impacte da epidemia de Ébola no estado de saúde das pessoas em tratamento por HIV, assegurando-lhes o standard de tratamento que receberam até hoje e protegendo o pessoal e os pacientes de maneira adequada; ao mesmo tempo, colabora-se na vigilância epidemiológica através de um rastreio da população em tratamento nos centros DREAM.

Infelizmente, a epidemia de Ébola está a modificar a vida e os sentimentos das pessoas. Em Conacri, já não se cumprimenta como dantes, as pessoas evitam-se, já não apertam as mãos e até têm medo do ar que respiram. Muitas pessoas já nem sequer vestem camisas com mangas curtas e caminham o mais possível a pé. Mas é necessário ir trabalhar e os meios de transporte são sempre os mesmos: os velhos táxis amarelos, onde entram 3 pessoas à frente e 4 atrás. Uma criança acompanhada por um assistente do orfanato onde vive, ao longo da estrada para chegar ao centro DREAM teve dores de estômago no carro e vomitou: todos fugiram dela, deixando-a sozinha à beira da estrada e ninguém se aproximou dela. Convive-se com o medo e tenta-se, ao mesmo tempo, continuar a viver.
Apesar da televisão – que com atraso começou uma incessante campanha para a prevenção – não referir da necessidade de tapar o rosto e o nariz, muitas pessoas fazem-no. Também diante dos quiosques e dos pequenos bares há água clorada.
E já não se participam nos funerais, ou melhor, antes de se participar, tentam saber como é que o familiar morreu.
Está-se a pagar um preço muito elevado em termos de vidas humanas, mas também se morre por causa do medo, como demonstra o facto que já ninguém quer ir para o hospital: o portão de entrada tornou-se no portão do Ébola e ninguém quer atravessá-lo. Muitas pessoas correm o risco de verem agravar-se patologias curáveis, ficando em casa e sem terem a coragem de pedir ajuda a ninguém.

Neste momento assim tão grave, os centros DREAM são uma referência para todos os que têm medo, estão confusos e não sabem o que fazer. Os pacientes continuam a respeitar as consultas médicas. Não deixam de tomar os medicamentos e há quem tenha insistido para tirar sangue mesmo sem visita marcada, certos que no centro DREAM também é possível diagnosticar o vírus do Ébola. Se isso ainda não é possível, de certo encontram em DREAM explicações correctas, uma ajuda para gerirem da melhor forma possível a própria vida em família e no trabalho, cientes que não queremos perder ninguém nem abandonar ninguém no caso de infecção.

A sensação é que muitos deles tenham vivido, por causa da SIDA, um percurso de resiliência à doença para uma vida nova: isso ajuda a enfrentar este desafio, sem procurar bodes expiatórios a quem atribuir a difusão da infecção e a não acreditar em promessas de tratamentos inexistentes. Também há quem se tenha curado do Ébola e, estas curas dão esperança e podem ajudar os outros a não se esconderem e a procurarem ajuda.

No dia 7 de Agosto, a OMS declarou que a actual epidemia de Ébola constitui uma emergência de saúde pública de interesse internacional e, desde então, os Estados e as Organizações Internacionais mobilizaram-se para apoiarem e coordenarem a resposta, que se apresenta muito complexa. De facto, trata-se de prevenir o contágio no âmbito da saúde e não, de limitar a liberdade de deslocação das áreas mais atingidas, de diagnosticar a doença, de internar as pessoas doentes, de identificar todas as pessoas com quem entraram em contacto, de gerir os funerais e as sepulturas de modo a não difundir o contágio. Os lugares no hospital para os doentes de Ébola são absolutamente insuficientes e, mesmo as pessoas aflitas por outras doenças, também já encontram dificuldades em se tratarem.

Neste sentido, o Serviço de Coordenação dos Assuntos Humanitários das Nações Unidas efectuou um censo das organizações envolvidas na resposta à epidemia na Guiné. A Comunidade de Santo Egídio, com o Programa DREAM foi inserida nos sectores da comunicação e mobilização social e da vigilância epidemiológica, em 3 prefeituras da Guiné (contactos). DREAM, portanto, efectuará um rastreio aos doentes de HIV e às respectivas famílias, informará a população e monitorizará também a domicílio as pessoas que tiveram um contacto com um doente de Ébola ou as que apresentam sintomas que podem ser atribuídos à doença, mas que não foram internadas. Para estas actividades, utilizar-se-á o pessoal e os recursos técnico-organizativos que o Programa já disponibilizou na Guiné.

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A excelência do laboratório de DREAM chega às prisões

Il Programma Dream nelle carceri del Malawi

A partir do mês de Setembro, começou oficialmente a colaboração entre a prisão de Blantyre (Chichiri) e o centro DREAM de Mandala para o tratamento dos prisioneiros doentes de SIDA.

Como se sabe, muitas vezes, nas prisões africanas as condições de vida são muito difíceis, há pouca comida, a higiene deixa muito a desejar e a superlotação é um problema crónico.

Os prisioneiros são os mais pobres entre os pobres e, para eles, é difícil aceder aos tratamentos de saúde, em particular, no caso de patologias complexas.

Há um debate aberto no Malawi sobre como melhorar as condições de vida dos prisioneiros e realizar um sistema de detenção mais humano, onde à pena não se adicione o sofrimento infligido pelas condições de extrema privação. A atenção com que um Estado cuida dos mais pobres, incluídos os prisioneiros, é o papel de tornassol de uma sociedade que respeita e tutela todos os próprios cidadãos.

A Comunidade de Santo Egídio do Malawi trabalha desde sempre para melhorar as condições de vida nas prisões e está presente com visitas frequentes, distribuição de bens de primeira necessidade (como sabão e alimentos) e organizando especiais almoços de Natal. Mas, o aspecto mais importante é, sobretudo, a amizade pessoal com os prisioneiros que restitui a dignidade de pessoa a cada um.

Desta amizade, nasceu a ideia de fazer alguma coisa a mais em prol dos prisioneiros que são seropositivos ou que já se encontram em tratamento com os medicamentos anti-retrovirais contra a SIDA.

O acordo prevê que na prisão sejam tiradas as amostras de sangue que são enviadas para o laboratório de biologia molecular de DREAM para a medição dos CD4 e da carga viral.

Com a monitorização dos tratamentos, a partir de hoje é possível assistir também os pacientes que vivem na prisão de maneira adequada às suas necessidades.

 

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